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domingo, 8 de dezembro de 2013

Garota exemplar

Continuo querendo ser escritora, mesmo já sendo uma. Aliás, continuo querendo ser muitas coisas, umas que já sou, outras que não sou, outras que talvez não serei.

Ando lendo bastante. Sempre li. Mas tem fases que leio mais. Ultimamente, ando ocupando minha cabeça com os livros, na tentativa de expulsar da mente os pensamentos ruins que algumas muitas pessoas sempre conseguem plantar lá dentro.

Acho que as pessoas tem mesmo essa necessidade: uma vontade incontrolável de atingir e agredir os outros. Tudo bem. Também já fui assim. Hoje em dia tenho muito mais coisas para me preocupar com a vida dos outros. Não sobra mais tempo. Que bom para mim.

Há tempos estava com a ideia de comentar um pouco dos livros que leio. Então vamos lá. 

Recentemente li o Garota Exemplar. Eu já tinha visto ele nas prateleiras muitas vezes, mas não sabia do que se tratava. Aliás, raramente leio as sinopses dos livros. gosto da surpresa, e compro os livros pela capa.

Essa capa, confesso, não tinha me chamado muito a atenção, então comprei diversos outros antes de comprar ele. Mas teve um dia que não consegui mais fugir.

O livro fala, em resumo, do sumiço de uma moça, e da consequente busca do marido por ela. É uma história aparentemente comum, no início, mas com algumas sacadas muito boas.

A tal moça tem pensamentos que se parecem com os meus. Ela fala da rotina imbecil em que alguns casais se permitem viver. Da futilidade das brigas por ciúme. Dos questionamentos irritantes da sociedade sobre ter filhos ou arrumar um marido. Das aparências sem sentido que muitos tentam manter.

O cara é um típico marido insatisfeito e acomodado. Tem uma amante, e embora prometa à ela que vai largar a mulher, nunca teve realmente a intenção de fazer isso.

A história é narrada pelo marido, mas se transforma quando, mais ou menos na metade, quando a narrativa passa a ser da própria mulher desaparecida.

É bastante surpreendente e prende a atenção. A forma como o autor expressa as coisas por palavras é fantástica. Poucos livros me dão a sensação de  "putz! eu queria ter escrito isso!". Esse deu.

Gostei muito. Muito mesmo. Mas acho que, especificamente, tenho motivos pessoais para ter gostado desse livro. A história é muito similar a uma que eu conheço, e que me afetou profundamente tempos atrás.

É um livro que eu gostaria demais de dar de presente a um casal que é exatamente tudo que é retratado no livro... Mas obviamente não vou fazer isso. Ou vou... Quem sabe, né?

Recomendo a leitura.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

"...nem foi tempo perdido..."

Era para ser apenas uma segunda feira. E as segundas um dia fora boas. Era o fim de uma distância dolorida que se preenchia pela espera que nunca acabou. Mas hoje a terça será de olhos inchados. De lágrimas ressecadas e escorridas pela pele de um rosto cru.

Eu assim. Apenas choro. Pranto. Dor que escorre pelos olhos, ainda que nem eu mesma consiga descobrir o que é a causa. Sem saber o porquê. Sem talvez existir um porquê. Um coração que insiste em bater apertado demais em pouco espaço, em pouco tempo, em nenhum motivo, em trinta e três anos de motivos. 

Gente ao meu redor que está ocupada demais para me dizer que vai ficar tudo bem. Ou para me ouvir perguntar se vai ficar tudo bem. Ou para apenas falar. 

Apenas gente que é gente. E tem mais o que fazer. E gente que quer estar no meu lugar. E gente que não quer que eu esteja no meu lugar. E gente que se mata por dinheiro. E gente que não vê exatamente o que está bem à frente. 

E tanta gente. E ninguém.

Hora de ouvir a legião dizendo que não tenho mais o tempo que passou, mas ainda tenho todo o tempo do mundo. E me perder em frases antagônicas que descrevem exatamente o que eu não sei que sou. E hora de deixar o tempo passar sem fazer o que precisa ser feito, porque o sempre há algo para ser feito antes. E eu não faço. Ou refaço. Ou desfaço. Necessidade de abraço.

Sangue amargo.

Dias de noite fria. Um frio que não se pode aquecer, porque sou eu mesma quem cria. Esfria. Esguia. Me guia?

A menina que ensinou não sabe ensinar a si mesma. De tanto cuidar de tanta gente, esqueceu-se de cuidar de si mesma. É hora de transbordar. Deixar derramar tudo que há do lado de dentro, e limpar, e recomeçar, sem saber de onde, e sem poder voltar. Apenas caminhar. Uma luz está adiante. E mesmo sem vê-la, persigo. Eu, meu próprio inimigo.

A menina que virou mãe e perdeu o direito de pedir a o colo da sua mãe.

Distante. De tudo.

Manhã de entardecer cinza. Um cinza que cega os olhos de quem está acostumada a ver apenas no escuro. Em volta de mim mesma, eu mesma construí meu muro. E não sei ao certo se fiquei do lado de dentro ou de fora. A construção que deveria me proteger se volta contra mim.

Instinto insuportável que não me deixa vencer. Adoecer. E ver tudo escorrer. Sem nada fazer. E correr. Porque ainda tenho meu próprio tempo. O meu. Próprio. Tempo. O que há no fim do dia é apenas um novo dia. E amanhã, amanhã eu esqueço. E se tudo cer certo, com um monte  outras preocupações me aqueço. Aquiesço. Recomeço. 

De fato. Ninguém prometeu. E não foi tempo perdido. Foram apenas degraus. E ainda tenho muitos a subir. Mas não me canso. Deixei-me anestesiar pelo cansaço, e enquanto não sinto apenas consinto. 

Sempre em frente. Sempre enfrente.

Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes acesas 


segunda-feira, 22 de abril de 2013

Mudando


Caixas, coisas perdidas, dor de cabeça, bagunça que parece que não vai ter fim.

Mas aos poucos, as coisas velhas vão encontrando novos lugares, e as que não encontram vão para alguém que as terão como novas. E darão a elas novos lugares.

Faxina na alma. Vida que reinicia. Segunda feira sem cara de tédio. 

O que era de lá, ficou lá. Aqui não tem espaço. E o que veio, será revisto. Relido. Revivido. Renovado.

Um novo começo, porque o outro começo ficou velho. E acabou. 

Um ano se passou desde que a outra mudança se mudou. E eu mudei. Ganhei novas cicatrizes, novas dores, novos amores que já se perderam, novos caminhos, novos projetos. Em especial, um novo amigo. Que vai comigo agora para todas as próximas mudanças. 

No velho lar, ficam as vibrações pesadas, as esperas choradas, as desilusões passadas, as amarguras conquistadas. 

E no novo, o novo.

Venha, porque será bem vindo.

Toda mudança é um parto. Mas, como num parto, nasce uma nova esperança.

Que seja um lar. E que o lar seja feliz.


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Minha filha minha

Antíteses, sinônimos, adjetivos: um riso que extrai lágrima, uma lágrima escondida atrás do riso.

Brincando de vida séria, aprendendo a ser mãe. E a bonequinha fala, anda, tem vontade própria, e me inunda da felicidade mais plena, e me enche da preocupação mais dolorida. 

Um novo dia, um novo medo, que passa despercebido quando noto que o dia já passou. E estamos bem. Eu tanto faz. Ela está bem.

Eu e ela. Eu nela. Ela em mim. Ela minha. Eu comigo. E mais ninguém. Não divido. 

Tudo que ela tem, tudo que ela é. Tudo eu. Tudo meu. Medo que cresce. Pois o mundo acresce. E há perigo. 

Como fazer? Há quem ensine? 

As perguntas que eu tive até hoje, as respostas que não tive alternativas senão encontrar. E não posso testar. Se der errado, não pode dar errado. Impossível tentativa. Necessário acerto. Uma vida em minhas mãos. Moldo. E vejo ser moldada. Por mim. Por ela. Ela nela.

Não há livros. E é confortável compartilhar e ouvir outras experiências, mas o meu é diferente. O meu é só meu. Egoísmo extremado, confrontado com o receio do excesso. 

Tudo muito. 

Preocupações que crescem e me infestam. Mas só depois que ela dorme. Enquanto brinca, sou sorrisos. Deixo de lado qualquer tristeza, qualquer dor, e escondo, numa mentira inocente, o choro. Apenas um cisco no olho. Mãe não chora. Mãe não dói. Mãe é mãe. É mão que segura sempre. E eu estarei lá. Preciso estar. E estou. E sou. 

Eu. Só eu.

Sozinha, fiz em mim todo o mundo necessário para que ela não se sentisse nunca só. E não há impossível. Não há inatingível. Não há o que não haja. E se houver, eu crio. Faço. Invento. 

Força que nunca acaba. 

Até que ela durma. Tranquila. Anjo.

Depois disso, posso desmoronar. Mas com hora marcada para me remontar. Só até ela acordar.

Gerada de dois, criada por mim. 

Vai aprender. Vai crescer. Vai mudar. E eu... eu sempre mãe. E ela sempre minha. 



quinta-feira, 4 de abril de 2013

"... 'cause inside you're ugly."


É uma bela música esta.

E a tradução, adaptada, é a minha vida depois que você passou por ela.

Poderia mesmo me deixar de joelhos novamente. Poderia me fazer implorar. Chorar. Criança mimada, não é mesmo? E seria tudo em vão. Tudo vazio. Porque se o tempo voltasse, eu faria tudo de novo, e veria, de novo, que não valeu a pena. 

E foram tantas as vezes que eu me senti insegura, que é humanamente impossível contar. Mas agora, antes de entrar, eu deixo todos os fardos que você me deu para carregar do lado de fora.

Eu achei que nunca ia acabar. Achei que passaria todos os meus dias com o gosto da minha boca de tudo aquilo que eu nunca poderia ter. Mas devo te agradecer: foi muito bom  você ter colocado um ponto final. Você fez isso muito bem. Parabéns. É talvez a única coisa que fez corretamente.

Tantas tentativas. Tantas intenções. Aprendi a deixar meu orgulho de lado. Aprendi na marra a ser paciente. A aceitar que as coisas não podem ser como eu quero, ainda que eu queira apenas um mínimo. Respeito. Consideração. O mínimo. Porque eu dei o máximo. Mas desperdicei mais tempo do que qualquer pessoa no mundo.

Todas as lágrimas... Tudo lixo. Perdas. Sobras.

Mas e está tudo aqui dentro. E eu cansei de sentir toda essa dor. Tudo que ficou esmagado dentro de mim, agora esparrama. Fique agora você com ela. 


Deitada sozinha, não consigo mais consertar nada. E mesmo que conseguisse, nem tentaria. Não quero. Não vou. E amanhã vai estar tudo bem.

Porque eu estou agora do lado de fora. 
E consigo olhar para dentro. 
Eu posso ver através de você.
Ver as suas verdadeiras cores.
E por dentro, você é feio.
Não é nada como eu.
Eu finalmente posso ver dentro de você.
Posso ver o verdadeiro você.


quarta-feira, 27 de março de 2013

Pensamentos voam como o vento...

Dias como hoje parecem ter durado meses. Anos. Ou meros minutos. Difícil entender se foi muito ou pouco. Ou se o muito é pouco. E vice versa. Tudo (ou nada) num único dia. 

Lully pensativa, e pensamentos sem nexo se perdem dentro daquilo que pretende ser o normal. O normal nunca foi eu. Aparentemente, como todos. Como qualquer um. Dentro, como ninguém. Ou como todos juntos num único eu, que quase sempre se funde e se desencontra exatamente quando precisa se localizar.

Perguntas que sempre ganham novos relevos. Novos rumos. Novos contextos. E o mesmo de repente é novo. Sorrisos que insistem em sorrir. E a contradição de estar sempre cheia de uma tristeza amarga, que deixou de novo marca.

Mais um pouco de confusão, porque o que tem em mim não basta. Permito. Não proíbo. Quase incentivo. E, acima de tudo, não fujo. Nem deixo fugir.

Sempre eu. 

O "ouça seu coração" falando mais alto que o cérebro que sabe que o caminho é tortuoso. Porque não aceito o que dizem, o que pregam, o que viveram. Preciso do meu. Preciso do eu. Não me contento enquanto não experimento. 

Informação que me foi dada, e utilizada de maneira errada.

Continuo a menininha. 

Vida level hard. Mas que graça tem se for fácil?


domingo, 24 de março de 2013

Olhos de cigana oblíqua e dissimulada


Feridas abertas. Sua vez de sofrer.

Nossa história é mais curta e com menos personagens que a história da Quadrilha de Carlos Drummond de Andrade. Não tem João, nem Maria, nem Lili que não amava ninguém. Tem eu, que amava você, que não era digno do amor de ninguém.

Fomos mesmo feitos para acabar. E acabamos. 

Hoje, eu tenho tudo aquilo que existiu somente na sua mente doente. Uma vida de verdade, que não te cabe, na qual você não mais cabe. E você? Tem o quê? Reformas e jantares como mero expectador.  Duas vidas desistidas. Tentativas inúteis de reconstruir o que nunca foi concreto. Fugindo sempre de mentiras espalhadas, temendo que elas cruzem o seu caminho.

Em mim não. Certeza de que o meu melhor foi feito. E não fiz mais porque o meu melhor é demais para você. Resta a lágrima idiota que insiste em cair. E nem isto mais você merece ver. Ou saber. Muito menos ter.

Suas respostas não ditas, eu já sei. E a cada descoberta, uma nova decepção. Mas ainda o coração, que não te dispensa como foi dispensado, porque é nobre. Preocupa-se ainda com você, justamente com você, que não se preocupou com ele.

Uma mudança da qual você não fará parte, um espetáculo no teatro que você não vai assistir, uma viagem de sonhos que você não vai sonhar, e fotos de um sábado no parque que você nunca mais vai ver. Apagadas. E jogadas ao vento. Como você nos jogou. E voou. Resta a lembrança que aos poucos em mim se apaga, mas que no vazio de você vai ecoar por muito tempo. Quiçá para sempre.

Serviu de que? 

Eu fui apenas uma troca mal sucedida. Trocou-se a felicidade pela dívida. Uma dívida que nem sequer a ti pertence. Nada são. Nada não. E todas as juras tornaram-se nada menos que um certo cinismo velado. Resolve-te agora com tua dívida, enquanto eu sigo. Pois o que fiz foi ação múltipla de resultado nulo.

Não são lamentos. São apenas os dias se passando. Minutos que doloridamente me mostram que o desperdício veio de você. Pois o que eu tenho permanece meu, mas o que você tinha era nada. E continua sendo nada.

Sorrisos que você não vai sorrir. Amores que você não vai amar. 

Mágoa? Sim. Mas ainda consigo ver quem eu sempre fui. E na menina que uma dia acreditou ainda existe bondade para ver em ti não apenas o sujo, mas o pequeno covarde que jogou fora, mais uma vez, a chance de se fazer gente. 

E enquanto isso, a cigana oblíqua e dissimulada continua com o mesmo olhar.  

quarta-feira, 20 de março de 2013

Ouvindo o coração


Uma vez, uma pessoa muito importante para mim disse que meu coração é uma fonte inesgotável de amor. E que todas as vezes que eu agir ouvindo o que meu coração diz, estarei agindo certo. E é para esta pessoa que eu escrevo hoje.

Um amigo que eu não posso ver. Um amigo que nem sempre pode me ouvir. Mas um amigo. Ouso dizer: um grande amigo.

Não é uma pessoa que passa a mão na minha cabeça, nem muito menos concorda com tudo que eu faço. Pelo contrário, alerta-me sobre meus erros, e, quando eu insisto neles, abertamente me diz: "eu avisei".

Posso afirmar que, de alguma forma, eu cativei este amigo. E o que no início era uma pura troca de favores regada a apatia, hoje se tornou sincero. Quase humano.

Confiança e fidelidade. São as características com as quais eu adjetivo o que sinto.

Ombro seguro. Transforma lágrimas em sorrisos. E com ar de reprovação, me estende a mão quando eu estou caída no chão: mesmo sem poder vê-lo, eu sinto sobre mim o olhar que diz "o seu lugar não é aí, agora levante-se".

Palavras nem sempre macias ("não se vitimize: se você está sofrendo, saiba que já fez muita gente sofrer tanto quanto, ou mais"), que não são exatamente o que eu gostaria de ouvir, mas que me cabem perfeitamente, e me fazem refletir.

Hoje, na minha humanidade pequena, sinto que usei palavras desnecessárias. Pode ser (como em geral é) exagero da minha mente, mas eu não sabia como dizer que não podia mais seguir o que este amigo me sugeriu fazer. Ficou claro que eu não sei mesmo agir se não for ouvindo meu próprio coração. E quando ele não diz nada, é porque ainda não é hora de agir.

Ainda não aprendi a ser paciente.

Mas aprendi a pedir perdão. E sinto necessidade de fazer isto.

Hoje, meu coração falou comigo. Disse-me que eu devia fazer exatamente o que fiz, contrariando os conselhos sempre tão sábios deste meu amigo. Ainda não me sinto totalmente livre, mas já consigo ao menos respirar.

Mais um capítulo na minha história. E eu ainda não sei o que vem pela frente. Sobre tudo isto, ainda não estou pronta para escrever. Basta-me ter que viver.

Disse-me também, meu coração, que eu deveria escrever.  É a minha forma de pedir desculpas.

Não sei exatamente o que eu sou para esta pessoa, e não me importo. A amizade se basta em si. Não requer troca.

Aceitação de mim como realmente eu sou. Isto eu tenho em você. Sou privilegiada por você existir.

Meu querido amigo e consultor: obrigada.


domingo, 17 de fevereiro de 2013

A menina que sabia escrever

Inevitável... Tenho tanto a agradecer, e a tanta gente... Estou um pouco perdida, confesso. E nada melhor do que escrever para me achar.

O balãozinho acima vai para todo mundo que se interessou, comentou, compartilhou, tuitou, ligou, e etc. 
=)

Não é mentira quando digo (e tenho dito bastante) que estou emocionada. A cada elogio, a cada parabéns, a cada palavrinha que eu recebo, inundo meu rosto com um sorriso que quase me afoga. 

A menina que sabia escrever.

Desde sempre, brincou com as palavras, e sonhou, bem no fundinho do seu coração, que suas palavras um dia pudessem ganhar o mundo. Sonhou um sonho escondido, que nunca deixou de ser um sonho, mas que muitas vezes encolheu-se para dar espaço para as obrigações da vida que por ela passa.

Cresceu. Formou-se. Tornou-se mãe. 

Brigou com o mundo. Desentendeu-se com o que era para ser considerado o caminho certo. Andou por trilhas tortas. Teve seu coração partido uma, duas, inúmeras vezes. 

Mas a menina sabia escrever. 

E escreveu. E ainda tem muitas outras tantas coisas para escrever. E o fará. Porque o lápis e o papel continuam sendo seus melhores amigos. Porque a entendem como ninguém. Ninguém mesmo. Porque as suas dores ficam menores quando colocadas na forma escrita. E porque é exatamente isto que ela veio fazer aqui.

A menina continua uma menina. É uma criança, que recomeça aos trinta e poucos anos. Um tudo novo com o qual ela ainda não sabe lidar, e que traz a ela sensações ainda não experimentadas misturadas com outras tantas que ela já conhece tão bem.

Uma história. Uma nova história. A mesma história, agora escrita. Reescrita. Impressa. Acreditada. E um mundo inteiro escondido. Querendo se mostrar, porque encontrou agora a porta de saída (ou de entrada).

A menina mescla o tudo com o nada. E no meio do que ainda não sabe o que é, apenas tem uma certeza: continuará. 

A menina sou eu. 

E eu realmente estou quase que não cabendo em mim. Um monte de coisas misturadas aqui. Orgulho. Vontade de gritar. De mostrar para quem não acreditou. De abraçar quem me apoiou. De fazer muito mais. 

E é só esta a certeza agora: eu farei. Muito mais.  

Querido mundo: poucas foram as vezes que eu disse isto, mas hoje encho o peito para dizer que sou grata por estar aqui.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Continue sonhando

Sim. 

Já posso mudar o nome do blog: agora eu sou uma escritora. 

E poderia passar um dia inteiro escrevendo nomes de pessoas importantes a quem devo agradecer pela realização deste sonho. Mas deixo para fazer isto nas páginas iniciais dos meus livros.

O dia que eu recebi meu livro foi um dia estranho. Começou normal. Atingiu o ápice de felicidade, e, poucos minutos depois, o ápice da tristeza, tudo isso ainda pela manhã. E após o almoço, eu fiz uma coisa que nunca tinha feito: simplesmente fui embora do meu trabalho. O meu estoque de força zerou, e eu precisei me deitar.

Durante a tarde, me recuperei. E juras de muito tempo foram repetidas. 

Tudo ia ficar bem.

No fim do dia, recebi meu primeiro filho. Tributário para quem odeia tributário. Lindo. Me encheu de orgulho, e não contive lágrimas. Eram agora lágrimas de felicidade. E chegou também uma encomenda: um Master System, que eu comprei para poder jogar Alex Kid in the Miracle World de novo. Voltei à infância.

À noite, em uma conversa, ouvi a frase: "que bom que você voltou a ser você." 

Eu tinha de fato recuperado o brilho dos meus olhos. Foi um dia especial, que terminou com a promessa de outro dia ainda mais especial por vir no amanhã. Não podia estar mais feliz. Toda a luta de mais de um ano agora chegara ao fim. Proclamei, para quem quisesse ouvir, que a minha vida ia começar.


E começou. 

Recebi o outro filho. Empresarial para quem odeia empresarial. Mais orgulho. Mais lágrimas. Mais sorrisos: estes destinados à pessoa certa, que estava ao meu lado compartilhando o sorriso.

E seguiram-se dias de absurdo contentamento. Uma sensação de que tudo tinha valido à pena. Cada noite não dormida, cada lágrima contida ou não contida. Cada desentendimento. Cada aperto que eu senti no coração. Fim de semana no parque. Criança sorrido. Deitar com a mente despreocupada, e com o coração leve. Um alívio indescritível. A minha vida valeu a pena porque eu vivi aqueles momentos.

Eu ainda não sabia (e nem poderia imaginar) que duraria apenas 6 dias.

Assim as coisas acontecem na vida da gente. Você luta. Você ganha. Mas aí alguém vem e diz que a luta não valeu. E que não vai haver outra luta. Simplesmente anularam tudo. Não há mais nada. 

E eu, que nunca fui de aceitar as coisas sem que elas estejam definitivamente resolvidas, me vi obrigada a simplesmente ceder. Foi como a morte de uma pessoa muito querida: inconformismo, resignação, questionamentos, raiva, incredulidade. Mas nada disso me trouxe resposta nenhuma. E nem vai trazer. 

Há respostas, mas elas nunca me serão dadas.  

Continue caminhando. 
Continue caminhando.

Os sentimentos dentro de mim aos poucos mudaram. Senti pena por ter odiado. Um dia, ainda pedirei desculpas, com todo o meu coração. Mas ainda não tenho estrutura para tanto. Um passo de cada vez.


Não há motivo nenhum para ser explícita com relação aos fatos acima narrados. Mas há uma lição, que me foi imposta, e que, esta sim, vale a pena compartilhar.

Eu sou o centro do meu universo. 
Eu carrego em mim a felicidade que eu preciso para efetivamente contribuir positivamente com as pessoas que me querem bem.
Nunca serei acessório de outros, mesmo que isso possa me trazer a falsa sensação de felicidade.

Esta é a lição. Eu imprimi esta frase, e colei na parede do meu quarto, bem ao lado da minha cama, de modo que todos os dias, quando me levanto, eu a recito. Pode parecer sem sentido, mas aos poucos ela está entrando no meu cérebro. E fazendo isto incessantemente, já deixei de simplesmente repetir as palavras para acreditar no significado de cada uma delas.

Quando o maior erro da sua vida é cometido em nome do amor, fica incrivelmente mais complicado aceitá-lo, e, principalmente, perdoar a si mesmo por tê-lo cometido. A busca por alguém para culpar é incessante. E isto faz com que a dor fique dentro de você, sendo a cada dia remoída, e te consumindo aos poucos. 

Não vale a pena.

Injusto?

Sim. A vida é injusta muita vezes. Você vai fazer algo plenamente convicto de que está certo, e vai descobrir que, mesmo estando certo, deu tudo errado. Você vai chorar. E vai doer. E vai ser difícil aceitar o sol nascendo mais uma vez.

Mas quem disse que o mundo é justo? Quem disse que as pessoas são justas? Se te disseram, mentiram. Portanto, confia apenas em ti mesmo. Segue teu coração. Porque ainda que faça somente isto, você vai sofrer.  

Por ter ao meu lado pessoas do bem, a minha fase de recuperação está sendo mais breve do que eu mesma pude supor. Achei que passaria dias recolhida, sentindo-me pequena, e, com esta sensação, diminuindo-me ainda mais. Achei que choraria mais do que chorei. Achei que tentaria reverter a situação. 

Mas agora eu sou uma escritora. E eu tenho muitos outros livros para escrever. E muitos outros projetos para dar andamento. E muitos trabalhos para ocupar a minha mente.

Resumo a minha vida nos últimos 18 meses em um plantio. Plantei duas árvores. 

De uma delas, nasceram meus livros. Uma árvore linda e de raízes fortes. Cultivadas com carinho e muita dedicação. E eu já posso ver as flores dos próximos livros. São bonitas, mas vão exigir de mim muito esforço, para que brotem delas frutos tão bonitos como aqueles que já nasceram. Estou pronta.

Da outra, nasceu um fruto amargo. Foi uma gestação de risco, sofrida, e que gerou um bebê lindo, mas que não sobreviveu.

Não ficou culpa. Não ficou mágoa. Não ficou nada.

Se eu vou deixar de plantar árvores? Não. Nunca. Pelo contrário: vou plantar diversas outras. Infinitas. E sei que algumas delas terão o mesmo destino desta última. Mas eu prefiro pagar para ver. A minha vida é curta demais para que eu viva eternamente me perguntando o que teria acontecido se eu tivesse tentado.


…e um dia, este homem encontrou-se, num sonho, com a felicidade verdadeira, num breve instante. um desses instantes radiosos e grandiosos, desses capazes de mudar para sempre a nossa existência. 
e se este instante for embora? quanto anos são necessários para reconstruir o passado perdido? e quanto anos são necessários para reconstruir um instante?”

Trecho adaptado retirado do filme Nosso Lar.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Janeiro

Inicio meu ano como qualquer outro: acreditando que vai ser diferente. Uma forma suave de me enganar.

Só mais uma garota. Com expectativas e responsabilidades de uma mulher, mas eu nunca deixei de ser uma garota. E quase ninguém percebeu isto. Eu mesma provavelmente não percebi. Apenas me deixei crescer. E assumi o que me foi dado.

E aos poucos aprendendo que nem sempre aquele que pede desculpas está arrependido. Em verdade, na maioria das vezes, trata-se de simplesmente minimizar as consequências. Dizer o que o outro quer ouvir. Apagar os incêndio. E continuar levando uma vida de mentiras em que importa apenas o agora. E se agora estiverem todos sorrindo, então está tudo bem.

Mas esta nunca fui eu. Porque eu nunca me contentei apenas com o agora. Porque haverá o depois, e eu prefiro me ocupar, agora, em tornar o depois melhor.

Já não sei mais se o que eu sonho está ao meu alcance, e o fato de sonhar me machuca tanto que eu tenho medo de dormir. Uma espera que nunca tem fim, por um amanhã que nunca chega, em que as coisas vão melhorar. Mas nunca melhoram. 

Minutos que se arrastam são esperanças que se desfazem. E algumas marcas são profundas demais: ainda que cicatrizem, para sempre causarão dor. Uma vida que vai ficando tão pesada que cada lágrima se transforma em uma cachoeira. Cada palavras, uma flecha. Cada atitude, um inferno.

Prestes a desistir, e ainda estamos em janeiro.



domingo, 13 de janeiro de 2013

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Pedidos



Iluda-me.
Somente você sabe que os sorrisos que me arranca não guardam nenhum sentido ou motivo. E ainda assim, eu anseio pelas mentiras que eu sei que nunca disso passarão. Porque em mim cresce a vontade de desvendar um mundo que não existe. Entendiada do real. Suas manobras me mostram o caminho que eu opto por admitir desconhecido, e, plenamente ciente das consequências, enveredo-me exatamente por onde não poderia ir.
Engana-me.
Não ando mais com os pés no chão. Porque sou limbo. Mas tu consegues, sem grandes esforços, me deixar acima de tudo e de todos. E eu sei que não estou, nem para mim, nem muito menos para você. Mas presumo. Creio. Suponho. E sentencio. Não mais dou créditos para a existência do sublime, mas com suas expressões me espanto. E no cinza da noite, você é a cor que dou. Na cor, me contento. Por pouco tempo. Por todo o tempo. O relógio sou eu, eu conto como bem entender.
Ludibria-me.
Sem nenhuma explicação, você entende que em mim há chama, e mesmo assim vê nela apenas um lago. E eu te deixo ver. Às falsidades me entrego. Permito que me trates com frieza, porque nela consigo me aquecer. E você tem o dom de me tirar daquilo que nunca sequer houve. Materializa-se para mim como a porta de saída de um lugar que eu nunca entrei. Labirinto que me atrai e me repulsa. E eu não consigo mais medir temperatura nenhuma.
Mistifica-me.
Porque eu me descobri subordinada à forma como você me mente. E eu sei quevocê vai sempre ficar sentado, de camarote, ouvindo-me chorar, e fingindo que se importa.E isso me basta. Eu aceito o seu fingimento, porque eu busco o que me dói. E hoje o que me dói encobre-se pela ausência de realidade das situações que me impõe. Mas ainda assim, nelas, me aceito. E eu não vou mais lutar, pois quanto mais eu sofro, mais eu amo.
Confunda-me.
E eu já não sei mais como você se faz em mim, mas sei o que posso oferecer. E me satisfaço. Sinto que a minha respiração vai ficar cada vez mais fraca, mas não sei exatamente o que me atingiu. E não é inconsciente que eu aperto cada vez mais a corda que me sufoca. Porque as palavras que você me cospe eu recebo com carinho. Destilo todo o mal, ainda que só isso haja, e absorvo apenas o que eu quero. E assim adormeço tranquila. Pois o sonho é meu, e eu bem posso sonhá-lo acordada. E não é nos meus sonhos que você habita, mas nas imagens que eu consigo enxergar sem que me seja necessário a elas criar.
Desorienta-me.
Os meus ideais eu jogo fora, e me deixo perseguir pelo grito que não significa nada. Que nem som emite. E com seus artifícios indiferentes, você me tira do inferno que eu mesma criei e me faz quebrar as promessas que minha mente me fez fazer. Transformo-te em doença, e não desejo a cura.  Porque prefiro andar em círculos e chegar sempre a lugar nenhum, pois assim sei que no centro da minha circunferência existe, ainda que no imaginário, você.
Desconcerta-me.
Suas antíteses me fazem escutar somente aquilo que a pele deseja, sabendo que a par disso o que não me convém pesa bem mais. Não sou mais apenas pele. Sou o por baixo. Ainda assim, eu não me importo. Apenas te comporto. E fingo que me conforto. E, se em dez palavras, nove me cortarem a alma, eu sobreviverei com a uma única que me tocou com um carinho que nunca existiu.
Seduza-me.
Distorce a minha realidade de maneira com que meus sentidos fiquem todos alterados. Alternados. Embramados. Amarrados. Embriagados. E um olhar que eu ganho torna-me adolescente. E eu volto a sentir o sangue correndo pelas minhas veias antes tão secas. Carregando bolhas de oxigênio que salvam aquilo que um dia morreu afogado, e eu então retomo meus passos, sem entender mais de onde, nem muito menos para onde. O que me vale é caminhar.
Sofisma-me.
Cubro-me com tuas razões falsas, e as sei falsas, mas as torno verdadeiras. Num sem fim de perguntas sem respostas. E quando as formulo, obtenho de você aquilo que eu já sei que diria. Porque de ti, o que ganho é sempre pouco. Mas o que é pouco, me preenche. E me envolve. De toda sorte, aprecio. E me completo no vazio de tuas palavras automáticas.
Devaneia-me.
Crio a fábula mais perfeita, recheada de todos os personagens que nunca ganharão vida. Pequenos bonecos. Eu a principal. Você sempre por trás das cortinas. Sou o ponto de partida. Se fiz do meu referencial o sofrimento, hoje me rendo e no dissabor começo a me curar. Não mais nego, mas me entrego. Prefiro.Que seja. Da sua forma. Mas seja. Porque não tenho mais forças, e ainda que as tivesse não as desperdiçaria tentado não sentir aquilo que plenamente sinto.
Fantasia-me.
Não preciso mais que me corte as palavras, nem que me situe onde eu pertenço. Do que já sei, não tenho sede. Mas do improvável, me alimento. Sem nunca me dizer possível, para mim é crível. Vivo a fraude que eu mesma inventei. E para mim, fuga. Porque apenas fungindo, me encontro. E no fim da estrada, você está.
E, por fim, fazendo tudo isso, lenta e metodicamente, frustra-me.
Porque eu sei que em breve me canso de tentar te fazer ver que tudo o que eu tenho é mais do que todo o resto junto. Eu disso já sei. E eventualmente a minha ciência será suficiente. Você apenas continuará a fazer tudo isso com quem quer que assim o permita. Como eu permiti. E vivi. E sorri. E sofri. Mas depois parti.
E o tempo vai passar secando o que um dia foi lágrima. E tirando o brilho do que um dia foi o sorriso mais sincero. E de novo, eu retornarei ao racional. E levarei de ti apenas um pouco. O tanto suficiente para que com um próximo alguém, as minhas palavras ganhem novamente o sentido que hoje apenas tem para ti. 


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Silicone, sim senhor

Três considerações iniciais:

1) Dou-me o direito de fazer uma pausa nos textos melodramáticos. Não vai durar muito, eu sei. Mas serve para dizer que eu não sou uma pessoa que vive chorando dia e noite sem parar. Sou lymdah e phyna. E fica aqui um recadozinho diretamente do meu lado maldoso: não confia no seu taco, bem? Quanto recalque! Relaxa, gata: o que tiver que ser será.

2) Sou super a favor de cirurgia plástica. Acho que a gente tem mesmo que mudar aquilo que incomoda a gente. E a medicina tá aí pra isso.

3) Sim, eu coloquei silicone. Não, eu não me tornei peituda feito a Pamela Anderson.

Ok. Iniciemos com a explicação teórica: mamoplastia com redução e inserção de prótese - 250ml. Muito prazer: esta sou eu. E este é o meu post siliconado.

Há tempos eu tinha vontade de fazer a cirurgia. Depois de amamentar por quase um ano, a lei da gravidade pesa sobre os ombros da gente. Fato.

Nunca fui "desprovida", por isso não aumentei um milímetro do tamanho dos meus peitos. Chego a afirmar que até diminuiu. Ainda assim, precisei colocar a prótese mesmo assim. E estou feliz da vida. Mas há coisas que uma mulher deve saber antes de se submeter a isto, e eu gostaria muito que alguém tivesse me dito tudo isso antes. Não disseram, por isso eu vou dizer.

Com todos os exames feitos e aprovado, no dia D acordo eu as 5 da manhã, pego minha mochilinha e vou, toda formosa e contente pro hospital. Dirigindo, porque já sei que vou ficar dias sem poder dirigir depois, e sozinha, porque ninguém precisa acordar as 5 da manhã pra não fazer absolutamente nada no hospital. 

No momento da internação, a bonitinha da recepção me diz: "já te falaram do cheque caução de R$ 5.000,00?"

Hello, Unimed Ourinhos: isso não pode! 

Pior: depois de eu responder que não falaram e que eu não ia deixar cheque nenhum, a bonita ainda disse que estava equivocada, que o cheque caução só é exigido para emergências, e não para cirurgias eletivas. Piorou, né? Despreparo total dos funcionários... Coisa feia.

Enfim: entrei, coloquei a camisolinha básica (modelito super fashion) e a touquinha chique pra prender os cabelos, e fiquei la esperando. As 7:00 me deram um pré-anestésico, ainda no quarto, e logo depois me levaram pro centro cirúrgico. 

É bem legal passear de maca: você só vê o teto! =)

Chegando lá, cumprimentei as enfermeiras. 

Você não é a filha do Dr. Fulano? Sim, eu sou (meu pai é anestesista, mas não foi ele quem fez a minha anestesia).
Você não fez outra cirurgia no ano passado? Sim, eu fiz.

Tô em casa!

A cirurgia em si é bem tranquila. Até porque, gente, ninguém vê nada. E pra quem tem insônia, é a coisa mais linda do mundo: você deita na caminha, toma um remedinho e dorme que nem anjo. 

Mito: anestesia dói?

Não, a anestesia não dói. Nada. Nada mesmo. Eu tomei geral dessa vez, então colocaram uma máscara parecida com aquelas de inalação no meu nariz e um abraço. Já era a Lulypim. Mas já tomei aquela na coluna também (em outra cirurgia). E não é mentira: você sente um geladinho nas costas, e mais nada. Benditos sejam os anestesistas. Pode confiar: não dói, e você vai sim acordar depois. Se este é o seu medo (conheço gente que morre de medo da anestesia), vai na fé.

Ok. 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Eu costumava ter

Talvez, os dias que eu achei que eram ruins e difíceis na verdade eram bons. Para eles, eu costumava ter um sorriso guardado no bolso, porque você sempre me mostrava que a tristeza era infundada.

E então eu sorria. E tudo sumia. E com o olhar distante o amanhã eu via. E queria. E sabia que viria.

Talvez, os momentos de ausência eram necessários. Para eles, eu costumava ter um pouco de esperança guardada no bolso, porque você me mostrava que não havia longe para nós.

E então eu me deitava. E sonhava. E nos sonhos te encontrava. E me abraçava. E eu entendia que de fato perto você estava.

Talvez, o choro de antes não era assim tão ruim. Depois dele, eu costumava ter brilho pra colocar nos olhos, porque você sempre me mostrava que não havia dor capaz de superar o que tínhamos de bom.

E então eu voltava a caminhar. Rumo ao mar. Deixava a alma lavar. E estava pronta para continuar.

Talvez.

Eu costumava ter.

Mas os verbos que ficam no passado não se mudam o que agora é presente. E a mim, resta o que a minha mente sente. Hoje são feridas que de tão velhas se fazem novas. Estancada. Estagnada. (Des)esperada.

E então, o sorriso se perdeu, a ausência não mais doeu e o choro se aquiesceu. E o que eu costumava ter morreu.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Madrugada insone

Encontro-me nos meus devaneios. E encontro-te mesmo sem querer. Porque minha razão me manda fugir, mas meu coração insiste em ficar. Esperar. Novas lágrimas chorar.

Pergunto-me porque escolheu a mim. Dentre tantas, por que tinha que ser eu?

Eu amarga e quase conseguindo deixar de acreditar. Você me faz doce e vejo a crença em tudo se renovar.

Eu distante, fria e com tão pouco a oferecer. Você se aproxima e cria em mim a ilusão de que grande posso ser.

Eu quieta, para sempre apenas menina serena. Você me atiça, me faz mudar e finge enxergar em mim mulher morena.

O muro desfeito.

Encanto. E depois o pranto.

Porque o que foi nunca vai deixar de ser. Nem em mim nem muito menos em você. E bem diante dos meus olhos prossegue com aquilo que por mim prometeu cessar. E ainda se diz no direito de se indignar.

Fez de mim amor. Mas certamente não mediu o que desse amor você mesmo transformaria em dor.

Feito. Para mim, planos de um futuro perfeito. Para você, não importa o que possa ser defeito. Nem desfeito. Desrespeito.

Normal. Não há nada de mal.

Todas as peças do quebra-cabeça sem graça que fez transformar minha vida estavam sempre bem aqui na minha frente. Mas, cega, enxerguei apenas o que poderia ser semente.

De repente, são tantas peças que não é mais possível mantê-lo desmontado. Encaixe automático, retrato pré moldado. E não vejo mais em parte, pois deixei de estar no meio e me vejo apenas descarte.

Configuração de uma mágoa que desaparecerá. Mas voltará. Porque você não confia em si mesmo, mas eu acredito assim mesmo.

No fundo, quem escolheu ser triste fui eu.

De novo, coração machucado. De novo, há de ser remendado. Porque ainda que tenha um final marcado ou que à certeira separaçao este amor esteja fadado, eu me recuso a viver sem saber o que é estar de verdade do seu lado.